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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

o tempo

O tempo não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não representam nada. Ser artista não significa contar, é crescer como a árvore que não apressa a sua seiva e resiste, serena, aos grandes ventos da primavera, sem temer que o verão possa não vir. O verão há de vir. Mas só vem para aqueles que sabem esperar, tão sossegados como se tivessem na frente a eternidade.
Rainer Maria Rilke

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Essa ausência assimilada...

Por muito tempo ahcei que ausência é falta.
E lastimei, ignorante, a falta.
Hoje nao a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba de mim.

Carlos Drummond Andrade

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Como vai a sua vida?

Como vai a sua vida?
Como vão seus sentimentos?
Como Deus pode ajudar você?

Como Cristo em sua vida,
Estara participando?
Como estás?
Será que podes responder?

Deus nos fez para sermos plenos
De amor e de alegria
Deu-nos salvação
Em Cristo e poder
Por favor, não acredite
Que você tem que ser triste
Deus pergunta: como vai você?

(Música do Pr. Allison Ambrósio Silva)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

De tudo ficaram três coisas

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar

Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!

Fernando Sabino, de "Encontro Marcado"
(*12-10-1923 +11-10-2004)

sábado, 31 de janeiro de 2009

ELEGIA

Há coisas que a gente não sabe nunca o que fazer com elas...
Uma velhinha sozinha numa gare.
Um sapato preto perdido do seu par: símbolo
Da mais absoluta viuvez.
As recordações das solteironas.
Essas gravatas
De um mau gosto tocante
Que nos dão as velhas tias.
As velhas tias.
Um novo parente que se descobre.
A palavra "quincúncio".
Esses pensamentos que nos chegam de súbito
nas ocasiões mais impróprias.
Um cachorro anônimo que resolve ir seguindo a gente
pela madrugada na cidade deserta.
Este poema, este pobre poema
Sem fim...

Mario Quintana.